VIVA O V CONGRESSO NACIONAL
DO PCTP/MRPP!


V Congresso Nacional do PCTP/MRPP
Lisboa 25 e 26 de Junho de 2005

 

COMUNICADO DE IMPRENSA

O V Congresso Nacional do PCTP/MRPP realizou-se com pleno êxito, tendo analisado e tomado decisões nas áreas que são fundamentais para a vida e para a luta dos trabalhadores e do povo português.


I

Analisando a situação política actual, o V Congresso Nacional do PCTP/MRPP retirou as seguintes conclusões fundamentais:
1) A situação política no mundo actual caracteriza-se por uma agudização extrema das contradições entre os povos e nações oprimidas e os Estados imperialistas e seus satélites, entre a classe operária e a burguesia industrial e financeira internacional, e dentro do próprio sistema dos monopólios e dos Estados imperialistas.
A mola real da presente crise e da agudização das contradições acima referida, reside nas próprias leis internas do sistema de produção capitalista, na sua tendência inelutável para a sobre acumulação de capital e para a sua concentração num número cada vez mais reduzido de grandes grupos monopolistas a nível mundial, enquanto que no outro pólo do sistema, o do Trabalho, se acumula o desemprego, os baixos salários, a sobre exploração, a fome e a miséria.
Armados até aos dentes, os Estados imperialistas fomentam e protegem o saque desenfreado das riquezas, dos recursos e da mais-valia produzida pelos trabalhadores de todo o mundo, desencadeando permanentemente criminosas guerras de agressão. À cabeça de todos eles está o imperialismo norte-americano, o inimigo principal dos povos e nações oprimidas, devidamente acolitado por outros sub imperialismos, designadamente os que constituem o directório que governa a União Europeia, e outros que espreitam a sua oportunidade, como a China, a Índia, a Rússia ou o Japão.
Neste quadro, e dado que o carácter “internacionalizado” do sistema de produção capitalista, das suas relações sociais de produção e da sua gestão pela classe burguesa mundial, se vem aprofundando notoriamente em relação com épocas passadas, ganha uma importância redobrada a aliança internacionalista entre os trabalhadores dos diversos países e regiões do mundo. Esta importância a conferir à dimensão internacional das lutas, tem uma aplicação clara no caso da actual União Europeia, onde os mecanismos e instrumentos do poder da burguesia se vão concentrando numa espécie de “super-estado” baseado num directório de grandes potências, o qual reduz os países pequenos e médios a um estatuto de tipo colonial, contando para tal com o apoio e o beneplácito das próprias classes dominantes dos países subjugados. Representando um fortalecimento do poder da burguesia, esta concentração de poder a nível internacional e regional favorece as condições da luta revolucionária da classe operária e dos trabalhadores, na medida em que agudiza as contradições do sistema capitalista e imperialista na Europa e reforça a aliança internacionalista entre os trabalhadores dos diversos países.
2) A presente situação interna em Portugal caracteriza-se por uma profunda crise política, económica e social, de que não se vislumbra saída no quadro político actual.
Ao contrário do que por vezes se pretende fazer crer, o que os resultados do último acto eleitoral, realizado em 20 de Fevereiro último, demonstram não é uma pretensa «viragem à esquerda» na sociedade portuguesa. Na verdade, o que realmente então aconteceu foi que, sob um rótulo de esquerda, o PS logrou conquistar a pequena-burguesia para um programa político abertamente de direita, reeditando o «bloco central» de má memória. As recentes medidas adoptadas ou anunciadas pelo governo do PS, ditas de «combate ao défice público», representam assim uma continuação, em versão mais agravada, da política dos anteriores governos do PSD/CDS contra os trabalhadores e o povo português.
Nestas circunstâncias, é necessário mover um combate frontal e em toda a linha àquelas medidas e àquela política, confrontando os sindicatos e as organizações dos trabalhadores com a urgência de isolar de imediato, sem apelo nem agravo, o governo do PS, como o comité de negócios do grande capital que ele, na realidade, é, afirmando a necessidade de construir um caminho alternativo para o país. Em termos imediatos, é chegada a altura de o movimento de massas dos trabalhadores portugueses abandonar a atitude defensiva que tem mantido nos últimos tempos, adoptando, contra a paralisia e a capitulação das organizações sindicais, uma Plataforma Reivindicativa, para a qual se propõem os seguintes pontos fundamentais:
• Instituição da semana de 35 horas;
• Pagamento, pelo Estado, dos salários dos trabalhadores despedidos, até à obtenção de novo emprego com idêntica ou superior qualificação;
• Aumentos salariais de montante nunca inferior à soma das taxas de inflação e do aumento da produtividade e que consagrem uma redução progressiva do leque salarial (taxas de aumento superiores para quem tem rendimentos mais baixos);
• Revogação imediata das disposições do Código do Trabalho que retiram direitos fundamentais dos trabalhadores, designadamente no campo da contratação colectiva, do direito à greve, dos tempos e condições de trabalho, da progressão remuneratória e profissional, e sua substituição por legislação laboral que promova o emprego com qualidade para todos, que garanta a existência de salários condignos e que respeite integralmente os direitos dos trabalhadores.
Para dar corpo à disposição de luta das massas trabalhadoras e para fortalecer a sua unidade, o V Congresso Nacional do PCTP/MRPP conclama os trabalhadores portugueses a exigirem e a imporem a organização, convocação e realização de uma Greve Geral Nacional contra o governo de Sócrates e a sua política e pela construção de uma alternativa democrática e popular a esse governo e a essa política.

II
Na base desta apreciação, o V Congresso Nacional do PCTP/MRPP decidiu-se pela participação do Partido batalha das próximas eleições autárquicas, fazendo também desta um terreno privilegiado de luta pelo desmascaramento e isolamento do Governo de Sócrates e pela elevação da consciência politica do povo trabalhador português.
No âmbito desta discussão o Congresso aprovou as linhas mestras do Manifesto Autárquico Nacional que servirá de guia aos Programas das Candidaturas a apresentar.
O V Congresso mostrou-se aberto à possibilidade de patrocinar candidaturas de cidadãos independentes às autarquias, quer suscitando e apoiando a feitura de tais listas, quer dando o nome do Partido para a formalização das mesmas, pugnando sempre pela inclusão das suas propostas essenciais nos respectivos programas.


III
Relativamente às eleições presidenciais, o V Congresso Nacional do PCTP/MRPP entendeu que se reveste de particular importância o surgimento de uma candidatura democrática que garanta a defesa dos interesses dos operários e demais trabalhadores, dos jovens, das mulheres, dos idosos e dos intelectuais progressistas, e em torno da qual seja possível criar uma frente única para a defesa da liberdade e da democracia para o povo e para enfrentar a verdadeira declaração de guerra que está a ser movida às massas trabalhadoras por parte do governo do PS.
Ciente da importância desta questão, o PCTP/MRPP neste seu Congresso fez questão de afirmar com toda a clareza a sua ampla disponibilidade para apoiar uma tal candidatura e o seu pleno empenho em propiciar o seu rápido surgimento.


IV

O V Congresso Nacional do PCTP\MRPP decorreu num elevado espírito de unidade e de luta, tendo os operários constituído a maioria dos delegados nele presentes (25,76%), e elegeu o novo Comité Central do Partido composto por 16 membros, dos quais quatro são pela primeira vez dirigentes nacionais do Partido.

Lisboa, 26 de Junho de 2005


A Mesa do Congresso


Moção

1. Considerando que o Governo Sócrates mais não representa do que um governo de “bloco central”, através do qual a burguesia tenta resolver a profunda crise em que se encontra mergulhado o sistema capitalista mediante a aplicação de um conjunto de medidas repressivas anti-operárias e anti-populares;

2. Considerando que as recentes medidas deste Governo constituem uma continuação em versão cada vez mais agravada da política dos anteriores governos do PSD\CDS contra os trabalhadores e o povo português e se traduzem já na violação de direitos fundamentais como o direito à greve, representando uma verdadeira declaração de guerra à classe operária e aos trabalhadores em geral.

• O PCTP\MRPP, reunido no seu V Congresso Nacional, apela aos trabalhadores e ao povo em geral para se unirem num combate frontal e sem tréguas contra aquele Governo e a sua política anti-popular, no sentido de o isolar urgentemente;

• Mais conclama os trabalhadores portugueses a exigirem e a imporem a organização, convocação e realização de uma Greve Geral Nacional em que oponham às medidas do Governo de Sócrates a sua própria solução para a crise a qual passa pela defesa de um Programa de Governo Democrático e Popular e de interesse de quem vive do seu trabalho.

Lisboa, 26 e Junho de 2005

 


RESOLUÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL

RESOLUÇÃO SOBRE AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

-brevemente serão colocados os restantes documentos aprovados em Congresso.

RESOLUÇÃO - AUTÁRQUICAS