RESOLUÇÃO SOBRE AS
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
As próximas eleições
presidenciais decorrerão num quadro político de particular complexidade,
caracterizado por uma crise a todos os níveis (político, económico, financeiro,
social, cultural) cada vez mais agravada, por um ataque de extrema violência contra
as massas levado a cabo pelo Governo Sócrates, tudo isto perante a passividade
e o silêncio cúmplices dos partidos da chamada “oposição”, das organizações e
centrais sindicais, das elites universitárias e culturais e dos “opinadores” de
todos os matizes e, finalmente, pela consumação do processo de verdadeira
liquidação do cargo de Presidente da República, processo esse iniciado com
Mário Soares e levado às últimas consequências por Jorge Sampaio.
Aliás, este último mandato
representou o caucionar e mesmo o participar directamente, por parte de
Sampaio, na liquidação final dos mais básicos direitos, liberdades e garantias
dos cidadãos – foi a promulgação de todas as mais gravosas e anti-populares
leis (com as leis do processo penal e o Código do Trabalho à cabeça); foi a
concordância e a co-autoria
do envolvimento de
Portugal, inclusive com o envio de militares portugueses, em guerras
imperialistas de agressão (da Bósnia e Kosovo ao Iraque); foi a não demissão do
Governo do PSD e o empossamento do Executivo de Santana Lopes; foi o permanente
pactuar e alinhar com o discurso securitário anti-democrático, com o
funcionamento em roda livre dos chamados “Serviços
de “Informações””; foi a plena
concordância com a redução do nosso país ao papel de mera colónia dos grandes
monopólios europeus.
No quadro actual, uma
candidatura democrática, que desse garantias de exercer um mandato e defender e
praticar uma política exactamente oposta àquela que foi assumida por Sampaio e
consequentemente empenhada na defesa da Democracia para o Povo, constituiria
uma vantagem táctica relevante, ainda que não decisiva, do ponto de vista dos
interesses dos operários e das classes e camadas de classe suas aliadas. E
nesse mesmo quadro a intervenção dos comunistas nas eleições presidenciais –
fosse apoiando, com outra força política, uma candidatura democrática, fosse
promovendo e levando a cabo uma candidatura apoiada essencialmente pelo
PCTP/MRPP – seria sempre uma medida acertada, por representar um reforço, ainda
que sempre limitado, das condições de Liberdade, Democracia para o Povo, uma
tribuna privilegiada para a defesa dos interesses da classe operária e a
divulgação dos pontos de vista dos marxistas.
Ora, na situação presente o que
presentemente se desenha é a inexistência duma candidatura democrática desse
tipo, que os operários possam e devam apoiar. Na verdade, temos por um lado a
cada vez mais evidente candidatura de Cavaco Silva, não só expressamente
apoiada por todos os sectores do grande capital como considerada com bonomia e
até elogiada pela actual direcção do PS, e, por outro lado, ou uma candidatura
perdedora à partida e sem quaisquer perspectivas (como a de Manuel Alegre), ou
uma candidatura do PS com um ideário, um programa e um candidato (de Vitorino a
Constâncio) ainda mais à direita se possível que os da candidatura de Cavaco
Silva, a que muito provavelmente acrescerão candidaturas directamente
patrocinadas pelo P”C”P e pelo B”E”.
Assim sendo, visando quer
defender os interesses dos operários e demais trabalhadores, dos jovens, das
mulheres, dos idosos e dos intelectuais progressistas, quer criar um campo de
trabalho e uma base de apoio bastante mais amplos e possibilitar assim a
aplicação de uma política de frente única, quer, enfim, consubstanciar uma tribuna
privilegiada de defesa dos pontos de vista de quem vive do seu trabalho e de
mobilização das massas populares para fazer frente à verdadeira declaração de
guerra que lhes foi movida pelo Governo Sócrates, o Partido deverá, dentro de
uma perspectiva de unidade com todos os sectores democráticos da nossa
sociedade, promover o lançamento e apresentação de uma candidatura às próximas
eleições presidenciais, com essas características e com esse programa político,
e lutar por fazer de tais eleições uma grande jornada de defesa e afirmação das
posições democráticas e populares e dos interesses dos trabalhadores.
Lisboa, 14 de Junho de 2005