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Apresentamos um inquérito feito à candidatura
no âmbito das eleições europeias
1. Quais
devem ser os limites geográficos, culturais ou políticos do alargamento da
União Europeia?
A questão do
alargamento da União Europeia como organização económica e política de Estados
capitalistas da Europa é um assunto que, em primeiro lugar e acima de tudo, diz
respeito aos países e aos povos que venham a ser confrontados com ele.
Tal como defendemos
para Portugal - e que sempre foi negado pelos pseudo-democratas -, a adesão ou
integração deveria ser submetida a referendo nacional, desde que esse referendo
valesse por uma só vez, como sucedeu com a Noruega, e não, como tem sido feito,
à boa maneira dos democratas ianques, de aceitar apenas as consultas populares
que votem pelo sim, isto é pelo que lhes interessa.
Como é sabido, mas não deixa de ser
escamoteado, os limites políticos e económicos da União Europeia sempre
estiveram e continuam a estar estritamente dependentes dos interesses dos
países mais industrializados e, em particular, da potência imperialista
hegemónica que é a Alemanha.
Não deixa de ser
significativo, para falar num caso mais recente, que a União Europeia se prepare
para integrar - para não dizer comprar - rapidamente a Islândia num momento em
que esta declarou a bancarrota.
Se colocarmos as
coisas do ponto de vista da unidade e da luta dos povos e trabalhadores
europeus, salvaguardada a respectiva identidade cultural e a sua soberania, não
se pode falar em limites.
2. A
União Europeia deve ter uma força de defesa comum?
Estamos totalmente
contra essa ideia e entendemos que Portugal deverá opor-se à criação de uma
força militar europeia.
A constituição de uma
força dessas apenas poderia representar uma tentativa de envolver os povos da
Europa numa guerra inter-imperialista ou levar à intervenção militar em
qualquer dos países que façam parte da União Europeia, o que é completamente
contrário aos interesses do povo português e dos restantes povos da Europa
Tudo o que seja
corporizar em termos militares os objectivos hegemónicos na Europa e, portanto,
no mundo, do imperialismo alemão deve ser firmemente combatido.
Como tem sido patente,
em Portugal, tem cabido em particular ao partido socialista - em sintonia,
aliás, com o seu porreiraço amigo Durão Barroso - a intolerável e vergonhosa
posição de arrastar o povo português para a primeira linha das agressões
imperialistas americanas no mundo, pelo que, também neste campo, outra coisa
não será de esperar do Eng.º Sócrates do que alinhar caninamente nestas
pretensões belicistas em preparação.
3. A
União Europeia está a reagir bem à crise financeira internacional? Qual é a
medida prioritária a adoptar?
Como desde o início
temos defendido, a crise que vivemos não é apenas uma crise financeira, mas uma
crise económica e social profunda que tem as suas causas no próprio sistema
capitalista. Daí que as soluções e medidas adoptadas pela União Europeia só
poderiam traduzir-se em iniciativas para salvar esse sistema, mas
inevitavelmente à custa de uma vasta destruição das forças produtivas,
nomeadamente e acima de tudo, pelos despedimentos em massa e um enorme
agravamento das condições de vida dos trabalhadores.
Seja como for, o que a
realidade se tem encarregado de revelar é que, mesmo no campo da actuação dos
países capitalistas mais avançados, as medidas tomadas para inverter
rapidamente a situação revelam-se ineficazes.
Por outro lado,
ficou também evidente que, nestas alturas e mais uma vez, União Europeia
significa salvaguardar os interesses de três ou quatro Estados e, em
particular, os interesses da Alemanha, pelo que é uma trapaça, em que embarcam
os europeus e saloios do PS, falar-se de uma política comum dos países da União
Europeia para combater a crise.
Rejeitando, nós,
qualquer missão de salvar este sistema capitalista, condenado por si a morrer,
defendemos, contudo, a necessidade de adoptar as seguintes medidas, tendo em
conta os interesses de quem trabalha e dos países dominados: Proibição dos
despedimentos; semana de 30 horas de trabalho, sem perda de remuneração;
instituição de um salário mínimo europeu; aumento geral de salários, com forte
diminuição dos leques salariais; medidas; apoio estatal às pequenas e médias
empresas que não reúnam condições para aplicar; Nacionalização das grandes
empresas que se recusem a aplicar estas medidas; elevação dos impostos sobre os
rendimentos do capital e as grandes fortunas, e diminuição dos impostos sobre o
trabalho; lançamento de grandes projectos de investimento público,
designadamente nas áreas da saúde, da educação, da energia, dos transportes e
das vias de comunicação; exigência de que todas as operações de emissão de
dívida pública e de contracção de outro tipo de empréstimos por parte dos
governos da União Europeia para fazer face à realização de investimentos
públicos, se realizem em condições semelhantes no que diz respeito a juros e
condições de reembolso.
4. Os
poderes do Banco Central Europeu devem ser revistos? Deve ser-lhe permitida a
compra de dívida pública?
O Banco Central
Europeu não é mais do que o instrumento da aplicação da política financeira e
monetária que interessa aos países da União Europeia mais industrializados e,
em particular - como já dissemos e reafirmamos -, à Alemanha.
Portugal deixou
também de ter qualquer autonomia neste campo e não dispõe obviamente de
qualquer influência na definição daquela política, limitando-se a ter de
suportar os efeitos negativos das medidas que, à custa de economias como a
nossa, são adoptadas para salvaguardar o desenvolvimento dos países dominantes.
A integração de
Portugal no sistema do Euro, nas condições e no regime que o caracterizam,
passou a traduzir-se na impossibilidade de utilizar mecanismos de ajustamento
económico, por via cambial ou monetária, o que, para um país sem capacidade
produtiva e com um decréscimo acentuado da sua capacidade de compra como é o
nosso, qualquer ajustamento só pode ser realizado através do abaixamento dos
salários.
A compra de dívida
pública por parte do Banco Central Europeu, nas condições em que ele actua, com
os poderes que detém e ao serviço de quem age, só poderia ter como consequência
um maior agravamento da nossa dependência.
5.
Concorda com a existência futura de um Governo europeu eleito directamente
pelos cidadãos da União? Em síntese, que modelo institucional considera ideal
para a União Europeia?
A existência de um
governo europeu eleito por sufrágio directo dos cidadãos europeus representaria
a consagração de uns Estados Unidos da Europa. E, nesta matéria, tal como
Lenine pensava, também entendemos que os Estados Unidos da Europa ou é
impossível ou é uma ideia reaccionária. Para a nossa candidatura, qualquer
modelo, como o expresso na ex-constituição europeia e no nado-morto Tratado de
Lisboa, que leve à institucionalização da hegemonia de potências economicamente
mais fortes e da Alemanha em especial, merece uma total oposição.
Ao invés, defendemos
que as relações entre os Estados membros da União Europeia devem assentar num
quadro de perfeita igualdade e reciprocidade, designadamente em matéria de
decisões políticas, e sem que qualquer alteração que envolva a perca ou
limitação formal da nossa soberania possa ser introduzida sem que o povo
português se pronuncie por referendo.
6. De
que forma Portugal beneficia em ter um português num cargo de chefia da União
Europeia?
Com portugueses destes
em lugares de chefia, mais valia não ter lá ninguém.
Como não restam
dúvidas para ninguém - a não ser para os socialistas de meia tigela, um lugar
de chefia destes só pode ser ocupado e exercido por alguém, seja de que
nacionalidade for, que prossiga execute a política dos seus patrões da
Alemanha, da França ou da Inglaterra, o que significa, como tem sucedido,
contra os interesses dos operários, agricultores e pescadores portugueses
Aliás, no que
respeita ao actual presidente da comissão europeia, só um governante como
Sócrates é que pode desejar naquele lugar alguém que patrocinou a invasão e
agressão imperialista de Bush ao Iraque e envolveu vergonhosamente o nosso país
nessa guerra e que tratou de dar à sola para Bruxelas quando o povo português
se preparava para ajustar contas com ele.
Perante isto, ainda é
necessário falar mais em bloco central aquém e além-fronteiras?
(Respostas da candidatura ao Parlamento Europeu do
PCTP/MRPP à Agencia Lusa)
Maio de 2009
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